7 Capítulo 7 – A Utilização do Tablet por Aluno com NEE em Contexto Educativo

Resumo

Neste estudo abordámos a questão da utilização de um tablet em contexto escolar, estando o enfoque na observação de um aluno com NEE que inicia a escolaridade e que tem um tablet como recurso educativo.

O trabalho procura acompanhar a introdução e adaptação do aluno e do contexto a esta situação e identificar vantagens desta utilização com este aluno.

Palavras-chave: Educação Especial; Recursos Educativos; Tablet

Introdução

No âmbito do Projeto SENnet sobre a temática da utilização de tecnologias móveis, estudámos um caso de utilização do tablet por um aluno com NEE no 1.º Ciclo do Ensino Básico, no início da escolaridade, realizado numa escola do concelho da Maia, distrito do Porto. Assim, apresentamos o caso do Luís.

O Luís frequenta o 1.º ano e inicia a utilização do tablet em contexto escolar. Esta utilização resulta de avaliação multidisciplinar feita anteriormente, onde intervieram as docentes do CRTIC, a professora de educação especial e titular de turma, as terapeutas da fala e ocupacional e a família (mãe).

O Luís tem atraso global do desenvolvimento psicomotor evidenciando características de Perturbação Pervasiva do Desenvolvimento (PPD-SOE).

Demonstra dificuldades em planificar, coordenar, executar e auto-regular movimentos voluntários especializados, relacionados com uma determinada atividade e que são realizados de forma lenta, imprecisa, desintegrada e dessincronizada. Tem comprometimento dos movimentos finos e diminuição do tónus, além de uma hipersensibilidade. Apresenta várias áreas do desenvolvimento psicomotor afetadas, com reações sensoriais acentuadas às texturas, consistências e toque.

Estes aspetos implicam cuidado na seleção de recursos que lhe permitam o desempenho funcional de atividades escolares, tendo sido consensual, após verificação e teste com o aluno, a introdução do tablet como tecnologia de apoio. Este ano letivo a opção foi que este trabalho de adaptação e apropriação do equipamento pelo aluno fosse feito por etapas, sendo esta etapa inicial implementada em momentos de trabalho individual, reforçando e complementarizando as atividades académicas realizadas na sala de aula.

A equipa que conduziu o estudo é constituída pelas docentes em funções no CRTIC Porto, Fernanda Cerqueira e Manuela Torres, ambas especializadas na área da deficiência Mental/Motora. O CR TIC Porto é um recurso especializado cuja finalidade consiste na avaliação dos alunos com NEE de carácter permanente para fins de adequação das tecnologias de apoio às necessidades específicas dos alunos da sua área de abrangência que corresponde à maior parte da área metropolitana do Porto.

Preparámos e iniciámos este estudo em janeiro de 2014, tendo efetuado a observação em contexto escolar do aluno, na Escola Básica (EB) de Santa Cristina, Agrupamento de Escolas do Levante da Maia, de março a junho de 2014, onde houve a oportunidade de assistir e registar a evolução do aluno na utilização do tablet e a relação prática desta utilização com os conteúdos académicos, o funcionamento e adaptação do Luís e da professora.

Para a concretização deste estudo contámos com a colaboração de toda a equipa docente envolvida, incluindo a direção do AE, da encarregada de educação e principalmente do aluno.

Metodologia do estudo

Abordámos o tema através de estudo de caso, com recurso a:

  • Análise documental;
  • Observações diretas e indiretas em ambiente natural;
  • Captação de imagens (foto e vídeo);
  • Reuniões (encarregada de educação / terapeutas que acompanham o aluno em apoio externo);
  • Entrevistas com docente de Educação Especial, Professora Titular de Turma, Professora de apoio.

O contexto escolar

O Agrupamento de Escolas do Levante da Maia, nos arredores da cidade do Porto, concelho da Maia inclui estabelecimentos de ensino de diferentes níveis situados nas freguesias de Folgosa, Milheirós, Nogueira, Silva Escura e São Pedro de Fins. Demograficamente estas freguesias apresentam um tipo de povoamento polinucleado com alguma densidade junto dos núcleos mais antigos na proximidade da respetiva Igreja paroquial. Em termos da evolução populacional, na última década, assistiu-se a um acréscimo significativo da população residente, mas inferior à média do município.

Esta consideração é válida em todos os indicadores demográficos, exceto na composição dos agregados familiares. Relativamente a este aspeto verifica-se que no “Levante” da Maia a dimensão média da família é superior à média concelhia. Daqui depreende-se um tipo de estrutura populacional do tipo peri-urbana, onde as marcas do urbanismo recente se misturam com o passado rural da região.

Comunidade discente do Agrupamento de Escolas Levante da Maia:
Nº total de alunos – 151
Pré-escolar – 278; 1º ciclo – 546; 2º ciclo – 236; 3º ciclo/CEFPP e curso vocacional – 365; Secundário – 86

A EB de Santa Cristina situa-se em Folgosa, que é a freguesia mais a leste do concelho da Maia. A sua população ronda os 3300 habitantes.
Dista da sede de concelho 8 Km. Confina a leste com as freguesias de S. Romão do Coronado e Covelas – Trofa, a oriente com Água Longa – Santo Tirso e Alfena – Valongo, a sul com Ermesinde – Valongo e a Ocidente com S. Mamede de Coronado – Trofa, S. Pedro Fins e Silva Escura.
A sua área, de cerca de 10 Km2, faz dela a segunda freguesia maior do concelho. Sendo esta a freguesia mais extensa do concelho da Maia, não é, contudo, a mais populosa.

Do património cultural da freguesia destaca-se a igreja matriz de Folgosa, a Capela de São Frutuoso, a Capela de Santo Ovídio e Santa Cristina e o Cruzeiro datado de 1682.

A EB de Santa Cristina possui 7 salas (4 salas para o 1º Ciclo, 2 salas para o Pré-escolar e 1 sala para recursos), bem iluminadas e arejadas, instalações sanitárias (4 para o 1º Ciclo e 3 para o Pré-escolar) e uma pequena cantina.

É também dotada de uma área de recreio exterior e de um pequeno alpendre para os alunos se abrigarem nos dias de chuva.

A escola possui meios informáticos (ex: quadros interativos) com ligação à Internet fixa nas salas de aula e outros recursos audiovisuais, nos quais, professores e alunos podem desenvolver atividades.

Tem 111 alunos no total (2 turmas do pré-escolar e 4 turmas de 1.º ciclo). Os alunos desta escola são residentes nesta freguesia.

O Luís

O Luís tem 7 anos, sendo a idade correspondente a este ano de ensino.

Frequentou o pré-escolar nesta escola, sendo para ele familiares quer o contexto físico quer humanos.

Com base na Avaliação por referência à CIF, o aluno apresenta:

Funções do corpo:
Funções da força muscular (b730.8) (QD59) – apresenta-se desajeitado, com fraca coordenação motora e equilíbrio deficiente.
Funções de temperamento e da personalidade (b126.8) – Área pessoal/social (QD66) – pouco autónomo a alimentar-se de forma adequada, mantem dificuldades no uso de 2 talheres em simultâneo, desabotoa mas não consegue abotoar botões, tem dificuldade em despir/vestir sozinho, mesmo peças de roupa simples, não sabe a sua data de nascimento, nem onde mora. A sua fraca coordenação fina não contribui para o melhor desenvolvimento destas competências.

Funções mentais da linguagem (b167.8) – Área da audição e linguagem (QD81) – esta área tem evoluído favoravelmente, apresentando-se num nível médio baixo a nível de expressão verbal, contudo falha nos itens que avaliam a compreensão verbal, com muita dificuldade em construir respostas às questões.

Funções do controle do movimento voluntário (b760.8) – área da coordenação olho -mão (QD56) – nesta área apresenta dificuldade marcada: não enfia sequer 6 contas num fio, tem dificuldade na manipulação da tesoura e nas dobragens de papel, copia apenas a cruz e o círculo, e de forma imatura, faz representação da figura humana de forma muito rudimentar. Na área da realização (QD69) – é um pouco melhor: realiza os encaixes, em tempo relativamente adequado, reproduz alguns padrões com cubos, a construção da ponte é rudimentar, fazendo passar um comboio por baixo da ponte, de forma desastrada. Junta os cubos às respetivas caixas.

Funções da orientação (b114.8) – área do raciocínio prático (QD 68) – nesta área os resultados são razoáveis, reflectindo a estimulação a que tem sido alvo: tem noção de grande/pequeno, o maior, o mais alto, mas ainda não de alto/baixo, o mais comprido/ou o mais pesado, nem noção do mais rápido. Conta 4 cubos associando o número à quantidade, repete 2 e 3 dígitos: conhece manhã e tarde.

Atividade e Participação:
Apresenta uma autonomia satisfatória para a sua idade, mas continua a ser necessário existir uma supervisão por parte do adulto em muitas tarefas básicas, nomeadamente nas áreas de vestuário (d540.1), alimentação (d550.1) e na higiene onde apresenta algumas incorreções na utilização da casa de banho e na lavagem das mãos, mas está a melhorar a este nível. (d510.2,d530.2)

Apresenta dificuldades ao nível da psicomotricidade e da motricidade fina, (d440.3) na perceção e na compreensão de mensagens orais e na elaboração e organização da mensagem oral com significado (d310.2). Tem alguma dificuldade em estabelecer diálogo e organizar as ideias, sendo a sua expressão oral pobre relativamente ao significado semântico e simbólico (d315.2). Demonstra dificuldade em manter-se atento por longo período de tempo. Manifesta dificuldades de manutenção da atenção e concentração numa determinada tarefa (d160.3), não sendo capaz de completar tarefas complexas de forma independente, pois necessita da orientação do adulto. No entanto, estão a verificar-se melhorias, pois o aluno em determinadas situações executa os seus trabalhos, sozinho; tudo isto tem a ver com o seu poder de concentração e atenção na atividade que está a executar e ao silêncio que estiver na sala de aula, pois o barulho destabiliza-o bastante e torna-o mais agitado e nervoso.

O aluno não tem tido muita dificuldade em se adaptar a situações novas que lhe são previamente explicadas e assim, ele já sabe o que vai fazer, quando e como (d2409.2). Contudo quando se lhe pede para relatar situações ocorridas ou pequenas histórias, não é capaz de as relatar com coerência (d330.3). Reconhece as vogais e algumas letras, nomeadamente as que fazem parte do nome dele. (d140.3) Escreve as vogais e o primeiro nome dele, mas necessita de orientação (d145.3). Apresenta dificuldade na capacidade de trabalhar com números e realizar operações matemáticas simples, tais como utilizar símbolos matemáticos para somar e subtrair e aplicar num problema a operação matemática correta (d150.3)

Condições Ambientais:
A família do aluno nomeadamente a mãe, encarregada de educação é atenta e empenhada em acompanhar o Luís e disponível para colaborar com a escola (e310+3). Tem noção das potencialidades e dos pontos fracos do Luís, preocupando-se em estimular a sua autonomia (410+3).
A intervenção em terapia da fala e terapia ocupacional revela-se um facilitador substancial (e580+3).
Os seus pares têm contribuído para uma boa integração do Luís na turma (e325+3).

O Programa Educativo Individual – PEI (decreto-lei nº3/2008)

O Programa Educativo Individual do Luís refere as seguintes Medidas Educativas:

Apoio pedagógico personalizado (artigo 17.º)
a) Reforço das estratégias utilizadas no grupo ou turma aos níveis da organização, do espaço e das atividades.
O aluno deve ficar sentado próximo do professor de modo a que este possa prestar apoio nas atividades que realiza.
b) Estímulo e reforço das competências e aptidões envolvidas na aprendizagem.
c) Antecipação e reforço da aprendizagem de conteúdos lecionados no seio do grupo ou da turma.
d) Reforço e desenvolvimento de competências específicas.

O Apoio pedagógico personalizado deve ser prestado pelo professor de turma e docente de Educação Especial, para reforço das estratégias a desenvolver e que visam o desenvolvimento de competências específicas nas áreas em que o aluno manifeste mais dificuldade e que são evidenciadas no seu perfil de Funcionalidade. O professor de Educação especial deverá também trabalhar na antecipação e /ou reforço da aprendizagem de conteúdos.

O docente de Educação especial em parceria com o docente da turma, adaptará as estratégias e metodologias diferenciadas que melhor contribuirão para o sucesso educativo, pessoal e social do aluno.

Adequações curriculares individuais (artigo 18.º)
Introdução de objetivos e conteúdos intermédios, em função das competências terminais de ciclo ou de curso, das características de aprendizagem e dificuldades específicas dos alunos.
Introdução de objetivos e conteúdos intermédios, em função das competências terminais do ciclo, das características de aprendizagem e dificuldades especificas do aluno, mantendo como padrão o currículo comum.
No currículo para o 1º ano de escolaridade teremos de ter em atenção algumas recomendações tais como:
– Redução das distrações visuais e auditivas, pois o aluno perde-se e não se foca nas tarefas pretendidas;
– Dar tempo para ele responder às questões;
– Promover a atenção, autonomia e motivação para as atividades escolares;
– Aumentar a sua autonomia na realização das tarefas individuais através de uma redução progressiva da ajuda facultada pelo adulto;
– Alternar tarefas mais ativas com tarefas mais passivas, bem como atividades complexas com atividades menos exigentes;
– Recorrer a suportes visuais ampliados, se necessário, para facilitar a aprendizagem de conceitos mais abstratos;
– Investir em estratégias que facilitem o sucesso do aluno na aprendizagem;
– Utilizar o reforço positivo sempre que o aluno realize com sucesso as atividades propostas ou revele empenho ou esforço para a concretização das mesmas;
– Certificar-se junto do aluno se ele compreendeu as ordens dadas à turma.

Adequações no processo de avaliação (artigo 20.º)
a) Alteração do tipo de provas.
b) Alteração dos instrumentos de avaliação e certificação.
c) Alteração das condições de avaliação (formas e meios de comunicação, periodicidade, duração e local).
Estas adequações terão sempre em conta as adequações curriculares individuais. Deverão ser utilizadas provas objetivas e de curta resposta, com mais tempo para a realização das provas, dividindo as atividades em pequenas tarefas, fazendo uso de perguntas diretas, não encadeadas e respostas de escolha múltipla (V ou F), recorrendo a imagens para reforçar a aquisição dos conteúdos.

Tecnologias de apoio (artigo 22.º)
Tablet – Tendo em conta o desenvolvimento de competências quer ao nível da coordenação visuomotora, quer ao nível das aprendizagens académicas (leitura, escrita, cálculo), a utilização do computador (tablet) é sugerida como uma ferramenta simultaneamente útil e indutora de motivação, não só através do processamento de textos mas também através da utilização de software educativo específico, que futuramente o CRTIC poderá eventualmente sugerir.

O contexto pedagógico da prática observada

O Luís está matriculado numa turma do 1º ano onde grande parte dos alunos frequentou o mesmo grupo no Jardim de Infância. É constituída por 17 alunos, todos a iniciar a escolaridade obrigatória, 8 rapazes e 9 raparigas, sendo o Luís o único aluno com Necessidades Educativas Especiais. Funcionam numa sala de atividades e com recurso a outros espaços educativos, sempre que necessário. O Luís acompanha a turma em todas as atividades.

São acompanhados por uma professora titular de turma, tendo também para intervenção direta com o Luís uma docente de apoio educativo e uma docente de educação especial (3,5h semanais de apoio da Educação Especial e 1,5h de apoio Educativo prestado por uma docente de 1º ciclo).

Têm atividades extracurriculares, após o horário letivo nas instalações escolares, que o Luís frequenta: Educação Física – 2 tempos semanais; Inglês – 1 tempo semanal e Projeto Lúdico e Expressivos – 2 tempos semanais.

No estudo de caso observámos o aluno principalmente em intervenção com a professora de educação especial em contexto individualizado e delimitado, correspondendo à 1.ª fase da implementação do tablet como um recurso para as aprendizagens.

Os objetivos de aprendizagem

Os objetivos para o aluno estão assim definidos no seu PEI:

Objetivo Geral
• Área da Linguagem /comunicação
Comunicar oralmente com progressiva autonomia e clareza;
Desenvolver a competência linguagem e comunicação.
• Raciocínio
Descobrir progressivamente os números
• Autonomia
Descobrir progressivamente o seu corpo
• Socialização
Conhecer e aplicar regras
Mobilizar e potenciar as capacidades cognitivas

Objetivos específicos
• Área da Linguagem /comunicação
– Exprimir-se por iniciativa própria;
– Descrever desenhos, imagens, pinturas;
– Compreender histórias orais e simples;
– Associar palavras a imagens;
– Reconhecer as vogais;
– Executar grafismos;
– Escrever o seu nome com letra manuscrita;
– Realizar jogos de escrita (com letras e palavras
– Transmitir recados simples orais;
– Responder, oralmente, a questionários;
– Estabelecer a sequência de acontecimentos.
• Raciocínio
– Associar os números à quantidade (até 10);
– Quantificar agrupamentos e descobrir progressivamente os números;
– Somar mediante objetos, desenhos;
– Subtrair mediante objetos e desenhos;
– Efetuar contagens mediante objetos e desenhos;
– Completar figuras;
– Estabelecer relações de grandeza entre números utilizando a simbologia >,< e =
• Autonomia
– Dialogar com o aluno sobre o seu nome, idade e sexo;
– Representar o seu corpo;
– Dialogar sobre os seus gostos e preferências;
– Representar a sua família próxima;
– Reconhecer situações agradáveis e desagradáveis.
• Socialização
– Conhecer as regras da sala de aula;
– Respeitar os colegas e adultos;
– Desenvolver a sua capacidade de atenção através de jogos;
– Reduzir a frequência da interrupção ou tentativa de desistência da tarefa;
– Desenvolver o interesse pelo resultado das tarefas;
– Diminuir os comportamentos estereotipados;
– Estabilizar o seu comportamento;
– Utilizar expressões de cortesia (bom dia, obrigado, com licença,…)

Metodologia pedagógica

Do currículo do aluno fazem parte todas as áreas curriculares da sua turma e do seu ano de escolaridade.

A professora titular de turma articula o trabalho com o Luís com a professora de educação especial e de apoio educativo e este pode ser desenvolvido em contexto de sala de aula ou em outros contextos em apoio individual. O acompanhamento pedagógico foi próximo e sistemático feito pelos vários docentes. Os fatores motivacionais do aluno são considerados para mais rapidamente o envolver nas tarefas assim como a abordagem através de metodologias e estratégias diferenciadas. Na sua formação contínua a docente realizou formação na área dos produtos de apoio, o que a capacita para explorar diversos equipamentos tecnológicos e digitais na abordagem aos alunos com NEE, diversificando estratégias e metodologias na utilização das tecnologias.

O CRTIC Porto acompanhou, contribuiu e colaborou também neste processo.

Introdução das tecnologias:
A introdução do tablet como uma tecnologia de apoio/produto em contexto escolar foi planeada por fases, por decisão da equipa de intervenientes, sendo este 1º ano de escolaridade também o ano de adaptação e de apropriação do equipamento como um facilitador a mobilizar, tanto para o aluno como para os professores.
Nesta primeira fase optou-se por tempos de trabalho individual em espaço próprio a desenvolver com a docente de educação especial e onde a principal tarefa foi a aprendizagem, o reforço e o desenvolvimento de competências básicas na sua utilização (funcionamento do aparelho, utilização dos diferentes ambientes, reconhecimento do equipamento como mais uma ferramenta de trabalho). Esta docente é também responsável pela elaboração e desenvolvimento de um programa de promoção de aptidões na utilização do equipamento nas atividades académicas, estimulando o seu uso para uma futura aplicação diária em contextos de sala de aula. Esta será uma 2ª fase acompanhando também a maturidade de todos os alunos da turma.
Foi então definida a utilização do tablet surface em ambiente educativo controlado e com supervisão, com utilização criteriosa e harmoniosa do suporte digital em ambiente educativo em conjunto com outros suportes.

Ferramentas e materiais

Sobre este aspeto foram ponderados vários aspectos tais como: Que tablet? Que APP? Que recursos digitais?

À partida foram considerados critérios como: o preço (verba limitada), a possibilidade de ligações externas (ex: entrada USB), permitir a produção de recursos educativos para utilização digital (possibilitando a elaboração de materiais pedagógicos antecipadamente e a sua portabilidade); o recurso a outros softwares e programas considerados úteis para o aluno e com o qual os docentes estão mais familiarizados…

A aquisição do tablet foi da responsabilidade da escola, com verbas definidas e atribuídas pela DGE /MEC e respeitando os critérios acima indicados e atendendo a características que influenciaram a sua escolha, principalmente o facto de permitir o acesso a recursos USB (ligações externas).

As APP foram pesquisadas, selecionadas e limitadas de forma a corresponder ao que o aluno estava a trabalhar na altura, às aquisições e competências que se pretendiam desenvolver, a não dispersarem o aluno e serem de disponibilização gratuita. Foram instaladas no tablet do aluno pela docente de Educação Especial com a colaboração do CR TIC Porto.
Aplicações gratuitas da Microsoft:
Para a Matemática – Kids Play and Learn ; Kid`s animal – conectable dots
Para o Português – ABC Discover (lite)
Atenção e memória – Angry Birds (3 níveis de dificuldade)

Como recursos digitais foram utilizados recursos offline: produção de fichas de trabalho e recursos educativos construídos e adaptados recorrendo a alguns programas (Powerpoint, paint e Word). A escola é servida por rede fixa acessível nas salas de aula não existindo acesso fixo ou wireless no espaço de intervenção/observação, pelo que não houve suporte de recursos online.

O tablet serviu também como sendo um recurso complementar para a realização de atividades académicas noutros formatos (gráfica, interpretação oral, etc). Além da utilização desta tecnologia (em atividades lúdicas e escolares) o Luís utiliza todas as outras ferramentas usuais de uma sala de aula.

Mudanças e progressos

O aluno neste momento sabe utilizar o tablet funcionalmente. Verificam-se progressos na capacidade de atenção e nas capacidades motoras finas para o uso do equipamento.

Ao nível dos resultados académicos, verifica-se um desfasamento em relação ao grupo / turma e ao esperado para este nível nas áreas de português e matemática, tendo atingido os objetivos na área de estudo do meio.

A escola, o aluno e a família reconhecem o tablet como uma ferramenta de trabalho útil e facilitadora no acesso ao currículo.

Conforme descrito anteriormente vai continuar a utilizar este recurso no próximo ano letivo, sendo um dos objetivos implementar o seu uso na sala de aula, em contexto de turma, podendo ser associado a outros recursos tecnológicos existentes (ex: quadro interativo).

Avaliação

A avaliação desta fase de implementação foi aferida através de uma reflexão conjunta com a equipa pedagógica para a análise da evolução do aluno. Neste caso consideramos que o tablet:
• É um recurso fácil e intuitivo para as limitações do aluno e que este gosta de utilizar, podendo ser usado em diferentes contextos.
• Permite a portabilidade, a mobilidade para diferentes espaços, a personalização e possibilita o acesso a materiais pedagógicos não dependentes da rede internet.
• Suporta tarefas que se constituem como experiências de aprendizagem relevantes, sendo um recurso de ensino e de aprendizagem, permitindo treinar diversas competências.
• É uma potencial ferramenta de ensino/aprendizagem graças à facilidade de construção de fichas de trabalho e outros recursos individualizados.
• É um recetor de informação e conteúdos.
• É um estímulo à aprendizagem.
• Permite planear tarefas e atividades lúdicas.

Considerações Finais

Na conclusão deste ano letivo ao fazer a avaliação do aluno a quem se refere este estudo de caso foi realçado o trabalho feito com base nas tecnologias de apoio, sendo este um fim e um meio – o domínio da tecnologia e o facilitador para a aquisição de competências transversais a todo o currículo.

O registo final permite-nos esperar que no próximo ano seja dada continuidade na implementação desta utilização, sendo esta alargada para o contexto de sala de aula e para o ambiente familiar, podendo ser considerado como “material escolar” também em casa.

Como estudo de caso não revela nem analisa uma situação concluída, mas antes em evolução. Com certeza que a reflexão entre todos os intervenientes pode ser uma mais-valia para se definirem novas formas de atuação e utilização do equipamento, rentabilizando-o quer individualmente quer em sala de aula no contexto grupo /turma.

Apesar de concluído este Estudo de Caso o CR TIC Porto continuará a colaborar e a manter uma relação próxima com este aluno.

Equipa do estudo

A equipa responsável por este estudo foi constituída por duas docentes:

Fernanda Cerqueira – Professora do Quadro de Agrupamento do AE do Cerco, grupo 910. Tem profissionalização para a docência na Educação Pré-escolar concluída em 1981 e um CESE em Educação Especial – Domínios Cognitivo e Motor concluído em 1996. Formadora acreditada pelo CCPFC e com Certificado de Competências Pedagógicas (CCP – ex CAP). Regista 33 anos de serviço, 22 dos quais na Educação Especial. Encontra-se a exercer funções no CRTIC para a Educação Especial do Porto, desde o ano letivo de 2007/2008.

Manuela Torres – Professora do Quadro de Escola do Agrupamento de Escolas do Cerco do grupo de docência de educação especial (código 910). Concluiu o curso em Educadores de Infância, no Instituto Politécnico do Porto – Escola Superior de Educação do Porto em 1991. Concluiu o Curso de Qualificação para o Exercício de outras Funções Educativas, na Área da Educação Especial – Domínio Cognitivo e Motor em 2002 na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti e o Mestrado em Ciências da Educação – Educação Especial em 2010, na Escola Superior de Educação Paula Frassinetti. Formadora acreditada pelo CCPFC. Tem 22 anos de serviço, 10 dos quais na Educação Especial e encontra-se a exercer funções no CRTIC do Porto, desde março de 2008.

Colaborador externo

Em alguns momentos deste estudo de caso contamos com a colaboração do Instituto Politécnico do Porto, Escola Superior de Educação na pessoa do Dr Rui Teles (NAID), traduzindo-se essa colaboração na captação de imagem durante a reunião de toda a equipa interveniente e na edição e produção do vídeo ilustrativo deste estudo de caso.

Referências bibliográficas/links

Acessibilidade: NEE, http://acessibilidade.pbworks.com/w/page/1308503/NEE
ALVES, Carla Marisa, Contributo do iPad® para o desenvolvimento de crianças com Necessidades Educativas Especiais,http://repositorio.ipl.pt/bitstream/10400.21/3282/1/Contributo%20do%20iPad%C2%AE%20para%20o%20desenvolvimento%20de%20crian%C3%A7as%20com%20necessidades%20educativas%20especiais.pdf
FAIAS, Joaquim, Tecnologias de apoio – Prestação de serviços, http://recipp.ipp.pt/bitstream/10400.22/1923/1/PTE_JoaquimFaias_2012.pdf
OLIVEIRA, Sara, Complementaridade entre todos os recursos pedagógicos é a chave do sucesso educativo, http://www.educare.pt/noticias/noticia/ver/?id=24524&langid=1
Por uma utilização criteriosa dos recursos digitais em contextos educativos – Um balanço de investigações recentes, http://www.ore.org.pt/filesobservatorio/pdf/EstudoORE_RecursosDigitaisemContextosEducativos.pdf
Programa Educativo Individual, EB de Santa Cristina
Projeto Educativo Agrupamento de Escolas do Levante da Maia, http://www1.levantemaia.com/
RAMOS, J.L, TEODORO; V.D., FERREIRA, F.M., Recursos educativos digitais: reflexões sobre a prática,http://www.crie.min-edu.pt/files/@crie/1330429397_Sacausef7_11_35_RED_reflexoes_pratica.pdf
REICHERT, Jennifer Ribas, TEODORO, Fabricia, BERLIM, Thiago Luis, O uso da tecnologia móvel para o auxílio ao aprendizado de crianças com deficiência auditiva, http://www.tise.cl/volumen9/TISE2012/783-786.pdf
Relatório da Reunião de Consultoria Especializada – TIC Acessíveis e Ensino Personalizado para Alunos com Deficiências: Um diálogo entre Educadores, Indústria, Governo e Sociedade Civil, http://www.unesco.org/new/fileadmin/MULTIMEDIA/HQ/CI/CI/pdf/accessible_ict_students_disabilities_pt.pdf

Links do estudo (para o vídeo e para a apresentação)

https://www.youtube.com/watch?v=Tbb2LY2Xb6w (vídeo EN/PT)

http://www.slideshare.net/crticporto/edit_my_uploads (Powerpoint  PT)

http://prezi.com/__hvgevml0lj/?utm_campaign=share&utm_medium=copy&rc=ex0share (Prezi EN)

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